Verdade Oculta

VOLTAR AS COISAS MESMAS

VOLTAR AS COISAS MESMAS
O homem está presente no mundo; o mundo está representado no homem. Essa relação homem-mundo, desde os primórdios sempre levou o homem a pensar a sua condição diante da realidade do mundo.
Com a tríade, Sócrates, Platão e Aristóteles surge a visão realista do mundo, isto é, o mundo está constituído em si mesmo, ele é como se apresenta à consciência humana, é o objeto que diz o que ele é, cabe a mente conhecê-lo e se adaptar a ele. O homem é um ser passivo diante da realidade do mundo.
Muito tempo depois, com Descartes e Kant, há uma mudança radical de polo, agora a ênfase está na mente (alma), é o idealismo. Portanto é o homem que, constitui o mundo como representação na consciência. A cor amarela é uma representação na mente, porque no objeto são apenas partículas incolores. É a consciência ou mente que diz o que é o objeto, assim, o homem é o sujeito ativo, o mundo é uma projeção da sua consciência.
O filósofo alemão Edmund Husserl (1.859 a 1.938), percebeu que, as duas visões referentes a relação homem-mundo, priorizavam um polo em detrimento do outro, o realismo o objeto; o idealismo a mente, com isso, ele fundou a Fenomenologia.
Para a Fenomenologia os dois polos: consciência e fenômeno (aquilo que se apresenta) não se excluem e não se sobrepõem. O fundamento da relação fenômeno e consciência se dá com a priori da correlação, é a consciência e o objeto juntos que dizem o que é o objeto, por isso, toda consciência é a consciência de alguma coisa e, toda coisa é coisa para uma consciência.
Para a fenomenologia é preciso voltar as coisas mesmas, mas, não somente no sentido físico, como o positivismo, mas considerando todos os sentidos. É preciso eliminar todo pressupostos e interpretações, para que seja possível compreender o fenômeno em si em todos os seus aspectos.
Se colocar uma árvore na frente de um realista, ele a concebe como ela é de fato, para o mesmo a árvore sempre foi assim, ela veio pronta para ele, cabe ao mesmo compreendê-la e, se adaptar a ela, nesse caso a árvore existe independentemente dele. Já um idealista, compreende a árvore como um objeto, cuja a mente a representa como árvore, a árvore em si, só existe na mente dele que, projeta a árvore no mundo, se ele não existisse, a árvore não existiria.
Para a Fenomenologia a consciência e o mundo existem independentemente um do outro, mas somente no encontro da consciência com o mundo (fenômeno) e vice-versa, que é possível o conhecimento, nesse caso, seguindo o exemplo da árvore: a consciência não pode ser consciência de árvore se essa como fenômeno não se apresentar a ela. Se colocar uma caixa fechada com um objeto dentro, a consciência só pode dizer o que ele é quando o mesmo se apresentar a ela, por isso, não pode existir pressupostos.