Verdade Oculta

POR QUE SOMOS COMO SOMOS?

POR QUE SOMOS COMO SOMOS?
Para refletir sobre essa pergunta e procurar entendê-la, penso que é importante considerar quatro fatores que acontecem concomitantemente, mas precisam ser pensados separadamente: o tempo histórico, o espaço social, as condições circunstâncias gerais e específicas e a subjetividade.
O filósofo Hegel atribuiu ao tempo histórico uma importância vital para a formação da ideia objetiva, segundo o mesmo o “homem é filho do tempo”, ou seja, a história produz e conduz o homem, toda ideia humana é a expressão de determinado tempo histórico.
Prefiro aceitar a co-relação do homem com a história, a história humana não se faz sem o homem; mas ao mesmo tempo o influência. A partir do momento que o sujeito começa a ter consciência da sua realidade histórica, a primeira coisa que ele faz é buscar compreender tal realidade. A sua reação pode ser de acomodar-se a história se essa lhe parecer favorável ou lutar para mudar pelo menos a sua realidade, se essa lhe for contrária.
O espaço social tem haver com o fator espaço. A sociedade desenvolve-se numa determinada região da Terra, cada região desenvolve a sua cultura, economia, política. Também, Hegel confere a sociedade, principalmente o Estado o poder da convergência da razão nele mesmo, ou seja, o homem deve ser moldado e guiado pelo Estado como representante da sociedade.
Mas segundo Marx, a razão não está no Estado, mas sim na elite burguesa, ao submeter-se ao Estado, na verdade se está sujeitando ao domínio de uma elite que, usa o Estado como instrumento hegemônico.
As condições circunstanciais e específicas tem haver com as inúmeras variantes que ocorrem na dinâmica da própria sociedade e, acabam influenciando e até mudando determinada realidade.
Por último, a subjetividade, que tem haver com a decisão pessoal de cada um diante daquilo que a vida lhe oferece. Numa mesma situação as pessoas tomam decisões diferentes.
Como exemplo do papel desses quatro fatores, vamos refletir sobre o período da escravidão: primeiro para que alguém fosse escravo, foi necessário nascer no tempo da escravidão; segundo, teve que nascer na região onde havia escravidão; terceiro, a sua condição geral tinha que ser negro, a sua condição específica era relativa, por exemplo, se tivesse a sorte de ser comprado por alguém que o comprou com o propósito de libertá-lo, seria livre, senão seria escravo; quarto fator, a decisão pessoal, era aceitar tal condição de escravo ou lutar contra a nefasta conjuntura que a vida lhe reservou.
O tempo e o espaço determinam o inicio da nossa história, mas a nossa vontade pode determinar o fim dela.