Verdade Oculta

O DUALISMO ENTRE O CAPITALISMO E O CRISTIANISMO

O PROBLEMA DO DUALISMO ENTRE O CAPITALISMO E O CRISTIANISMO

“Amauri, no livro O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, do Olavo de Carvalho, o autor tenta conciliar a prática capitalista com a moral cristã. O que você pensa sobre isso? Existe essa possibilidade?
O autor começa tentando diferenciar o empréstimo no contexto do feudalismo do investimento, como prática comum do capitalismo.
Segundo o mesmo a igreja católica tinha razão de condenar o empréstimo com usura, numa economia estática como a feudal; mas não pode condenar o empréstimo como investimento no capitalismo, por esse praticar uma economia dinâmica e expansiva. A economia em crescimento justifica o lucro do emprestador que, troca o seu dinheiro real por um dinheiro potencial, a ser recebido no futuro, lógico, sob risco de perda.
Ainda segundo o autor: a falta de visão da igreja em diferenciar uma coisa da outra, ajuda a crítica marxista ao capitalismo, ou seja, a igreja acaba ajudando a causa socialista indiretamente, sem perceber.
Agora, na minha opinião, na prática real é díficil separar empréstimo de investimento. Os príncipios da economia extrapolam os sistemas socio-econômicos. Na relação entre o emprestador e o que toma emprestado, existem várias possibilidades. Para o emprestador-investidor, não importa o que o sujeito vai fazer com o dinheiro, desde que o mesmo pague o que ficou acertado no contrato. Ninguém intuitivamente empresta o seu dinheiro ( a não ser no caso de amizade ou parentesco) se não tiver a mínima certeza de que vai receber de volta. A cobrança de juros é variável, depende das circunstâncias, como por exemplo: das leis de mercado, como também, de decisão e desejo pessoal, uns querem ganhar o suficiente; já outros querem ganhar mais.
Na idade média, os judeus foram odiados e perseguidos pela prática de viver de juros ( capitalismo financeiro). Mas a situação dos mesmos justifica pelo menos em parte essa prática. Pois vivam em terras estrangeiras, acumular riquezas era um tática de sobrevivência como nação. Investir no capital produtivo, como possuir terras não era muito inteligente, pois no caso de perseguição corriam o risco de perder tudo. Já o dinheiro pode ser transportado junto com o dono no caso de fuga urgente.
Fica cada vez mais difícil conciliar a moral do Evangelho com a prática capitalista, quando apenas menos de um por cento da humanidade detém setenta por cento da riqueza mundial.